Bem lá no inicio da minha pivetisse, me lembro de que lá em
meados de 1995, eu com meus 6 ou 7 anos de idade (olha eu entregando a idade
kkkk), indo para meu primeiro dia de aula, recordo também da minha primeira
professora, Sueli (uma das melhores professoras que tive), e consequentemente,
conheci minha primeira paixonite de infância, a filha dela, Adriana,
branquinha, de olhos esverdeados, boca bem vermelha, lembro que fiquei
encantado com a beleza daquela pessoa, eu namorava ela, sabe, aqueles namoros
de antigamente que só a gente sabe mas a pessoa não (que foi? no passado era
assim tá), eu morria de vergonha dela, mas não conseguia parar de olhar pra ela
todas as vezes em que ela passava por mim. Enfim, esse romance infantil nunca
vingou, pois exatamente nesta mesma época me encontrei em conflito comigo
mesmo, por quê? Por causa do André, um menino loiro, de olhos azuis, cabelos
lisos tipo tigelinha, um rosto angelical, e eu fiquei tipo! Oi? Achei ele simplesmente
lindo. Até ai tudo bem, poxa nada de demais acharmos uma pessoa do mesmo sexo
bonita, mas pera aí? Eu não conseguia me entender, pois não era apenas a beleza
dele que chamava a atenção, eu sentia algo a mais que eu não conseguia
explicar, o mesmo sentimento que eu nutria pela Adriana se mesclava com o que
sentia pelo André.
Eu e o André acabamos nos tornando melhores amigos, se não me
falha a memória, ele foi meu primeiro amigo, ele dividia seu lanche comigo e eu
o defendia dos valentões da escola, estudávamos juntos, e eu ficava me sentindo
divido por um sentimento que até hoje não sei explicar ao certo, mas sei que
era uma paixão da infância, tanto pela Adriana quanto pelo André até que na
segunda série ambos mudaram de escola e eu nunca mais os vi... Porém, eu com
meus seis ou sete anos de idade não entendia nada, por que eles me faziam tanta
falta, mais do que o normal com relação a outros amigos do tempo da escola.
Fui crescendo (lei da vida né), e aos doze anos namorei uma
menina da rua da casa da minha avó, ela se chamava Juliana, eu gostava dela,
mas ao mesmo tempo, eu começava a ver as revistas pornôs, mas sempre prestava
mais atenção nos pau dos caras, sempre me pegava admirando mais os homens do
que as mulheres, mas sempre me sentia culpado após uma masturbação ou
sentimento de desejo pelo mesmo sexo. Eu venho de um berço evangélico, e cresci
aprendendo que relacionamento com pessoas do mesmo sexo era completamente
errado, é pecado, e eu me questionava direto sobre esses desejos que iam além
do meu querer.
Lembro que por varias vezes eu chorava e orava pedindo pra
Deus me transformar em um homem completo, para tirar esse desejo pelo mesmo
sexo que vinha se aflorando cada vez mais e mais. Mas peraí? Me transformar em
um homem completo, isso significa que eu sou incompleto? NÃO! Eu não sou
aleijado, tenho uma saúde de ferro, todos os membros em seus perfeitos lugares,
mas mesmo assim, eu me achava incompleto, poxa, na minha adolescência eu apenas
queria ser aceito pela sociedade, poder namorar uma garota bonita e atraente,
poder beijar ela em qualquer lugar, andar de mãos dadas sem que as pessoas
ficassem me olhando torto, ou pior, sem ter que sofrer preconceitos ou até mesmo
agressões físicas. Eu literalmente não me aceitava, e o pior de tudo é que eu não
conseguia ser feliz comigo mesmo. Não tive uma base familiar boa, cresci sem
mãe, não faço a mínima ideia de quem possa ser meu pai, fui criado pelo meu
avô, o qual criou todos os seus filhos à base de pancadas e consequentemente,
eu também apanhei muito, e não eram apenas lições corretivas, eram surras
agressivas, com socos, pontapés, fios de cobre, chicotes, arames, lembro até de
uma vez em que ele bateu minha cabeça na parede de casa, tenso. Para meu avô não
existia carinho, amor, nada disse foi essencial, um prato de comida e um teto
para morar já eram o suficiente.
Deste modo, toda minha família cresceu, sem uma base concreta
para serem bem sucedidos, muitos partindo para a marginalidade, e outros apenas
estagnando em suas vidas, vivendo dia após dia. Temia a violência que poderia sofrer por parte
do meu avô se passasse por sua cabecinha fechada que em algum momento eu me
sentia atraído por homens. No mínimo eu seria expulso de casa logo na adolescência,
e não duvidem disso, ele fez isso com alguns filhos no auge de suas adolescências.
Enfim, dramas familiares à parte, namorei algumas vezes com
mulheres, teve a Juliana, depois teve uma menina que a conheci no cinema (não lembro
o nome dela), e teve a mulher que mais marcou minha vida, seu nome foi Talita, a
única mulher por quem de fato me apaixonei, era uma mulher e tanto, tínhamos muita coisa
em comum, principalmente a loucura sexual rsrs, ambos tínhamos 18 anos na
época, namoramos por um ano e meio mais ou menos, até que ela arrumou um emprego muito longe na qual tinha que ficar
ao menos 15 dias fora e um ou dois em casa, aos poucos nos víamos menos e nosso
relacionamento foi acabando. Depois dela teve a mais terrível, vou chama-la de
F, até hoje não sei bem onde estava com a cabeça quando fui atrás da mãe dela
pedi-la em namoro. No inicio tudo bem, mas olha, no decorrer, foi bem tenso.
Sempre fui meio cuzão pra terminar um relacionamento, mas nesse caso, a minha
válvula de escape foi um emprego fora do país, o emprego que iria mudar minha
vida por completo e para sempre, o qual também fez com que eu abrisse minha
mente e me aceitasse da forma como sou. Outro dia escrevo melhor sobre este
assunto, é bem extenso.
Depois de toda minha experiência abroad, percebi que
nunca fui incompleto, eu fui intolerante comigo mesmo por diversos fatores,
culturais, familiares e por ai vai... Mano, na boa, eu só fui realmente
aprender melhor a ser feliz comigo mesmo no momento em que me aceitei como GAY,
e não tem problema nenhum nisso, Deus não me ama menos por eu gostar de uma
pessoa do mesmo sexo, porra, que Deus seria esse que condenaria uma criança
sem qualquer malicia que nasce sentindo atração por outra pessoa do mesmo sexo? Que Deus seria esse condenaria sua propria criação? Aprendi que
quem nasce assim, simplesmente nasce assim, não é algo que eu escolhi pra minha
vida, não e algo temos o poder sobre, Deus me fez perfeito do modo como sou, assim, o que nos resta é apenas
nos respeitar e nos aceitar acima de tudo, depois se dar o respeito, e falando nisso, me vem agora
na mente a musica born this way da cantora Lady Gaga, a qual diz que somos lindos do nosso jeito por que Deus não comete erros...
I'm beautiful in my way
'cause god makes no mistakes
I'm on the right track baby
I was born this way
'cause god makes no mistakes
I'm on the right track baby
I was born this way
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