sábado, 19 de novembro de 2016

Saindo do Armário - O início

Bem lá no inicio da minha pivetisse, me lembro de que lá em meados de 1995, eu com meus 6 ou 7 anos de idade (olha eu entregando a idade kkkk), indo para meu primeiro dia de aula, recordo também da minha primeira professora, Sueli (uma das melhores professoras que tive), e consequentemente, conheci minha primeira paixonite de infância, a filha dela, Adriana, branquinha, de olhos esverdeados, boca bem vermelha, lembro que fiquei encantado com a beleza daquela pessoa, eu namorava ela, sabe, aqueles namoros de antigamente que só a gente sabe mas a pessoa não (que foi? no passado era assim tá), eu morria de vergonha dela, mas não conseguia parar de olhar pra ela todas as vezes em que ela passava por mim. Enfim, esse romance infantil nunca vingou, pois exatamente nesta mesma época me encontrei em conflito comigo mesmo, por quê? Por causa do André, um menino loiro, de olhos azuis, cabelos lisos tipo tigelinha, um rosto angelical, e eu fiquei tipo! Oi? Achei ele simplesmente lindo. Até ai tudo bem, poxa nada de demais acharmos uma pessoa do mesmo sexo bonita, mas pera aí? Eu não conseguia me entender, pois não era apenas a beleza dele que chamava a atenção, eu sentia algo a mais que eu não conseguia explicar, o mesmo sentimento que eu nutria pela Adriana se mesclava com o que sentia pelo André.

Eu e o André acabamos nos tornando melhores amigos, se não me falha a memória, ele foi meu primeiro amigo, ele dividia seu lanche comigo e eu o defendia dos valentões da escola, estudávamos juntos, e eu ficava me sentindo divido por um sentimento que até hoje não sei explicar ao certo, mas sei que era uma paixão da infância, tanto pela Adriana quanto pelo André até que na segunda série ambos mudaram de escola e eu nunca mais os vi... Porém, eu com meus seis ou sete anos de idade não entendia nada, por que eles me faziam tanta falta, mais do que o normal com relação a outros amigos do tempo da escola.

Fui crescendo (lei da vida né), e aos doze anos namorei uma menina da rua da casa da minha avó, ela se chamava Juliana, eu gostava dela, mas ao mesmo tempo, eu começava a ver as revistas pornôs, mas sempre prestava mais atenção nos pau dos caras, sempre me pegava admirando mais os homens do que as mulheres, mas sempre me sentia culpado após uma masturbação ou sentimento de desejo pelo mesmo sexo. Eu venho de um berço evangélico, e cresci aprendendo que relacionamento com pessoas do mesmo sexo era completamente errado, é pecado, e eu me questionava direto sobre esses desejos que iam além do meu querer.

Lembro que por varias vezes eu chorava e orava pedindo pra Deus me transformar em um homem completo, para tirar esse desejo pelo mesmo sexo que vinha se aflorando cada vez mais e mais. Mas peraí? Me transformar em um homem completo, isso significa que eu sou incompleto? NÃO! Eu não sou aleijado, tenho uma saúde de ferro, todos os membros em seus perfeitos lugares, mas mesmo assim, eu me achava incompleto, poxa, na minha adolescência eu apenas queria ser aceito pela sociedade, poder namorar uma garota bonita e atraente, poder beijar ela em qualquer lugar, andar de mãos dadas sem que as pessoas ficassem me olhando torto, ou pior, sem ter que sofrer preconceitos ou até mesmo agressões físicas. Eu literalmente não me aceitava, e o pior de tudo é que eu não conseguia ser feliz comigo mesmo. Não tive uma base familiar boa, cresci sem mãe, não faço a mínima ideia de quem possa ser meu pai, fui criado pelo meu avô, o qual criou todos os seus filhos à base de pancadas e consequentemente, eu também apanhei muito, e não eram apenas lições corretivas, eram surras agressivas, com socos, pontapés, fios de cobre, chicotes, arames, lembro até de uma vez em que ele bateu minha cabeça na parede de casa, tenso. Para meu avô não existia carinho, amor, nada disse foi essencial, um prato de comida e um teto para morar já eram o suficiente.

Deste modo, toda minha família cresceu, sem uma base concreta para serem bem sucedidos, muitos partindo para a marginalidade, e outros apenas estagnando em suas vidas, vivendo dia após dia.  Temia a violência que poderia sofrer por parte do meu avô se passasse por sua cabecinha fechada que em algum momento eu me sentia atraído por homens. No mínimo eu seria expulso de casa logo na adolescência, e não duvidem disso, ele fez isso com alguns filhos no auge de suas adolescências.

Enfim, dramas familiares à parte, namorei algumas vezes com mulheres, teve a Juliana, depois teve uma menina que a conheci no cinema (não lembro o nome dela), e teve a mulher que mais marcou minha vida, seu nome foi Talita, a única mulher por quem de fato me apaixonei,  era uma mulher e tanto, tínhamos muita coisa em comum, principalmente a loucura sexual rsrs, ambos tínhamos 18 anos na época, namoramos por um ano e meio mais ou menos, até que ela arrumou um  emprego muito longe na qual tinha que ficar ao menos 15 dias fora e um ou dois em casa, aos poucos nos víamos menos e nosso relacionamento foi acabando. Depois dela teve a mais terrível, vou chama-la de F, até hoje não sei bem onde estava com a cabeça quando fui atrás da mãe dela pedi-la em namoro. No inicio tudo bem, mas olha, no decorrer, foi bem tenso. Sempre fui meio cuzão pra terminar um relacionamento, mas nesse caso, a minha válvula de escape foi um emprego fora do país, o emprego que iria mudar minha vida por completo e para sempre, o qual também fez com que eu abrisse minha mente e me aceitasse da forma como sou. Outro dia escrevo melhor sobre este assunto, é bem extenso.

Depois de toda minha experiência abroad, percebi que nunca fui incompleto, eu fui intolerante comigo mesmo por diversos fatores, culturais, familiares e por ai vai... Mano, na boa, eu só fui realmente aprender melhor a ser feliz comigo mesmo no momento em que me aceitei como GAY, e não tem problema nenhum nisso, Deus não me ama menos por eu gostar de uma pessoa do mesmo sexo, porra, que Deus seria esse que condenaria uma criança sem qualquer malicia que nasce sentindo atração por outra pessoa do mesmo sexo? Que Deus seria esse condenaria sua propria criação? Aprendi que quem nasce assim, simplesmente nasce assim, não é algo que eu escolhi pra minha vida, não e algo temos o poder sobre, Deus me fez perfeito do modo como sou, assim, o que nos resta é apenas nos respeitar e nos aceitar acima de tudo, depois se dar o respeito, e falando nisso, me vem agora na mente a musica born this way da cantora Lady Gaga, a qual diz que somos lindos do nosso jeito por que Deus não comete erros...

I'm beautiful in my way
'cause god makes no mistakes
I'm on the right track baby
I was born this way

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